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COMO É VIVER E TRABALHAR NA CHAPADA DIAMANTINA

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Este não é um manual. Mas você já se pegou desejando com todas as suas forças que o final de semana chegasse? Ou perguntando pra céu e terra por que diabos o dia não tem logo 48 horas, já que dormir virou a última das prioridades. Pode ser que você pense ”que loucura é essa?”, mas provavelmente se identifica com o que estou falando.

‘’Nem tudo que se enfrenta pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até ser enfrentado.”  James Baldwin

A universidade nos forma para que sejamos máquinas de produtividade. Ela é tão injusta que já começa com o fato de que nem todo mundo tem acesso. Depois de sobrevivermos aos discursos institucionalizados, damos a outra face para o mercado de trabalho. E dói. Por mais tranquila que pareça a relação entre patrões e funcionários, em algum momento os interesses irão bater de frente. Dentro das agências ouvimos de tudo. Criar é exercício, virar noite é super normal e, aconteça o que acontecer, sempre haverá pizza. Por um tempo é divertido, mas depois começa a perder o sentido. Principalmente quando pelo caminho você encontra os egos inflados, os estereótipos que clientes e agências ainda fazem questão de reproduzir e o desgaste que é lutar contra isso. Em projetos fora do ambiente de trabalho, todo criativo descobre que é possível criar pautas com as quais se identificava mais,  definir prazos respeitosos que vão apenas beneficiar o projeto e, principalmente, gerenciar o tempo. Não é a toa que tantos projetos paralelos (e incríveis) surgem desses profissionais.

Na área de comunicação, ambiente no qual temos mais propriedade para falar, geralmente os funcionários trabalham na pressão, dentro da sala com ar-condicionado (por mais descolada que seja), entrando e saindo de reuniões que muitas vezes são mais burocráticas do que produtivas, recebendo salários injustos, trabalhando em um horário que não se sente bem, ao mesmo tempo em que se preocupam com os filhos, enfrentam o trânsito, pagam o aluguel que aumentou e ok, porque uma vez por ano rola aquela viagem bacana. Tudo mudou quando percebemos que não era para ser assim. Foram meses e mais meses projetando na mente para depois colocar em ação, afinal, a vida não é tão simples como um resumo de horóscopo. Ela é complexa como as relações trabalhistas e o nosso governo. Ela é mais uma vez injusta quando coloca pra uns opções e pra outros condições. Mas sobre isso a gente pode conversar em outro texto. O fato é que nós, Aída e Paolo, pegamos a nossa filha, colocamos embaixo do braço e decidimos que o mundo ainda tinha muito para nos mostrar (e que ele era uma bela de uma sala de reunião).

O Vale do Capão

Nos mudamos e a adaptação não foi fácil. Só após o primeiro ano conseguimos definir de forma lúcida quais seriam nossos reais objetivos de trabalho, quais clientes queríamos buscar, como iríamos unir os nossos jobs e transformá-los em marcas e conteúdos instigantes. Rolou uma mudança de casa, uma relação de amor-e-ódio com o sinal da internet e uma imersão nos estudos que nos guiaram na forma de planejar esta empresa que nascia dentro da nossa própria casa.  Aqui no Vale do Capão o que não faltam são histórias de pessoas que largaram tudo e se jogaram na estrada. Isso nos inspirou diariamente. Também descobrimos que em 24h podemos trabalhar, dormir, estudar, criar os filhos, relaxar, ler, fazer a própria comida. Parece mentira, né? Demoramos para desconectar da cidade e do ritmo que é exigido nelas. Hoje temos mais consciência de quais modelos nos deixam mais produtivos, mas foi complicado deixar de lado os vícios adquiridos em anos de agência.

A maioria dos nossos clientes é do Recife. Alguns surgiram antes da mudança, outros quando já estávamos aqui. Já trabalhamos para São Paulo, Espírito Santo, Texas e Berlim sem sair de casa. Logo surgiu o nosso primeiro grande aprendizado: atender. Criar uma relação de confiança e admiração mútua foi a chave dos projetos que mais nos deram orgulho. Receber o feedback direto do cliente foi uma novidade que nos mostrou um lado do trabalho que não conhecíamos. Tem coisa mais instigante do que ouvir um áudio emocionado do cliente super satisfeito? <3 Também passamos um longo período definindo os esquemas mais simples, como a pauta, a nuvem, o email, os cálculos das horas de trabalho, as notas fiscais, enfim. Decisões que muitas vezes um criativo não está acostumado a tomar.

Se você é um profissional em busca de novos formatos de trabalho e, mais do que isso, uma nova qualidade de vida, nós teremos muito o que conversar. E se você é um pequeno empreendedor na busca pelos seus sonhos, nós temos mais em comum do que você imagina e, sim,  podemos te ajudar de várias formas. Se você não é nenhum dos dois, saiba que é tão bem-vindo quanto. Nós não acreditamos em modelos pré-definidos, mas confiamos na liberdade como um caminho óbvio e necessário para a felicidade. E vamos usar este espaço para compartilhar os aprendizados que surgem pela frente.

 

Aida Polimeni

Graduada em comunicação social no Escola Superior de Marketing, estudou na ESPM - SP, trabalhou em grandes agências do Recife e ganhou prêmios, como manda o figurino. Após a maternidade, sentiu a necessidade de debater o espaço das mulheres no mercado de trabalho. Muitas coisas a levaram para uma vida na estrada, mas essa é uma história que fica melhor contada aos poucos.


2 comments

  • que coisa boa ler esse relato de mudança, aprendizado e realização. uma virada tão radical assim não é fácil, tenho certeza. saibam vocês dois que isso me dá uma animada danada a fazer a minha virada. xêro pros três e muito sucesso (e sossego) <3

    • Julio Albuquerque-
    • 10 de maio de 2017 at 14:20-
    • Responder

    Parabéns pela coragem e pelo relato. Que ele possa encorajar muitos e muitos profissionais e se libertarem dessa caixa pre-formatada criada pelas universidades e que as mentes se abram pra o novo, sempre.
    Sucesso!

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